Após 83 anos, Sasazaki chega ao fim de um ciclo em Marília com demissões e venda do estoque

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Uma das empresas mais tradicionais da história industrial da cidade paralisou as atividades e dispensou os últimos funcionários; produtos que restaram são vendidos em outlet

Durante décadas, dizer Sasazaki era praticamente falar de Marília e uma das maiores do segmento no país. Portas e janelas produzidas na cidade chegaram a milhares de lojas e residências espalhadas pelo Brasil. Gerações de marilienses passaram pela fábrica, que cresceu, tornou-se referência nacional no setor de esquadrias e ajudou a escrever parte importante da história industrial do município.

Agora, 83 anos depois de sua fundação, a Sasazaki vive o momento mais melancólico dessa trajetória. A empresa paralisou suas atividades e dispensou cerca de 60 trabalhadores que ainda permaneciam no quadro, segundo informações confirmadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Marília e Região. A medida ocorre depois de anos de dificuldades financeiras, redução da produção e uma recuperação judicial iniciada em 2024.

Ao mesmo tempo, o que restou de portas, janelas e outros produtos vem sendo comercializado por meio do Sasazaki Outlet, no Distrito Industrial. A venda dos estoques acaba se tornando uma imagem simbólica do fim de um ciclo para uma marca que durante décadas esteve entre os grandes nomes da indústria mariliense.

O evento termina neste sábado, às 17%, oferecendo produtos com até 50% de desconto. É a famosa "queima de estoque". Segundo os funcionários ouvidos pelo Visão Notícias, ainda não há informações sobre alguma outra atividade para vender o restante dos produtos, já que alguns ainda não devem ser vendidos hoje.

De lamparinas para todo o Brasil

A história começou em 1943, de maneira quase artesanal. Os irmãos Kosaku e Yusaburo Sasazaki, integrantes de uma família de imigrantes japoneses, começaram em Marília produzindo lamparinas.

Depois vieram equipamentos destinados à agricultura e, acompanhando as transformações econômicas do país, a empresa encontrou nas esquadrias seu grande mercado.

Portas e janelas de aço e, posteriormente, de alumínio levaram a marca Sasazaki para praticamente todo o Brasil.

No auge de sua trajetória, a companhia chegou a contar com mais de mil funcionários. Seu parque industrial em Marília alcançou aproximadamente 72 mil metros quadrados de área construída.

A empresa também ganhou reconhecimento pela inovação. Foi a primeira do setor de esquadrias metálicas da América Latina a obter a certificação NBR ISO 9001 e esteve entre as pioneiras na certificação voluntária de produtos por laboratório acreditado pelo Inmetro.

Durante anos, a Sasazaki apareceu ainda entre as marcas mais lembradas por lojistas e consumidores do setor de materiais de construção.

Crise não começou agora

Os sinais de dificuldades apareceram muito antes das últimas demissões. Em 2019, quando ainda mantinha cerca de 600 trabalhadores, a empresa promoveu uma grande redução no quadro de funcionários. Nos anos seguintes, as dificuldades aumentaram.

Em outubro de 2023, consultorias especializadas em reestruturação empresarial foram contratadas para tentar reorganizar as operações e as finanças.

No início de 2024, o Grupo Sasazaki entrou com pedido de recuperação judicial, declarando naquele momento dívidas superiores a R$ 35 milhões.

A empresa atribuiu as dificuldades a uma combinação de fatores, entre eles aumento dos custos, retração do consumo, juros elevados e restrições de crédito.

A tentativa de recuperação, porém, não impediu uma nova redução das atividades. No final de setembro deste ano, os cerca de 60 trabalhadores que ainda permaneciam ligados à empresa foram desligados.

Uma história que também pertence a Marília

Os números, porém, contam apenas parte dessa história. Ao longo de oito décadas, milhares de famílias de Marília tiveram alguma ligação com a Sasazaki. Pais, filhos e até netos passaram pelos portões da indústria.

A marca acompanhou transformações profundas da própria cidade: do período em que a economia regional ainda tinha forte ligação com a agricultura até a expansão industrial e o crescimento da construção civil.

Também fez o caminho inverso: enquanto Marília crescia, o nome da cidade viajava pelo país estampado nos produtos fabricados aqui. É justamente por isso que a paralisação da Sasazaki ultrapassa os limites de uma crise empresarial.

Representa o encerramento de um capítulo importante da industrialização de Marília — mesmo que os próximos passos jurídicos da empresa ainda dependam do processo de recuperação judicial e de uma definição formal sobre seu futuro.

No Distrito Industrial, onde durante décadas caminhões saíram carregados de portas e janelas para diferentes regiões brasileiras, os produtos que restaram agora encontram seus últimos compradores.

Uma espécie de liquidação dos capítulos finais de uma história iniciada em Marília há 83 anos.

ENTENDA RÁPIDO

83 anos de história
A Sasazaki nasceu em Marília em 1943 e começou com a fabricação artesanal de lamparinas.

Marca nacional
A empresa tornou-se uma das grandes referências brasileiras na fabricação de portas e janelas de aço e alumínio.

Crise prolongada
Demissões e reestruturações ocorreram ao longo dos últimos anos. Em 2024, o grupo entrou em recuperação judicial.

Últimos funcionários
Cerca de 60 trabalhadores que ainda permaneciam ligados à empresa foram dispensados no final de setembro.

E agora?
As atividades estão paralisadas e produtos remanescentes continuam sendo comercializados, enquanto o futuro jurídico da empresa depende dos desdobramentos da recuperação judicial.





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