Será sepultado neste sábado (dia 18), pela manhã, no cemitério de Ipiranga (cidade localizada na região dos Campos Gerais/PR), o corpo do engenheiro Gustavo Henrique Lara, de 27 anos. Aluno de uma escola de aviação, ele morreu após sofrer uma grave reação alérgica durante o "banho de óleo", um tradicional ritual de comemoração realizado por alunos de escolas de aviação.
O caso ocorreu em uma escola de aviação de Ponta Grossa e está sendo investigado pela Polícia Civil. O instrutor foi preso em flagrante pelo crime de homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Pelo que foi apurado até agora, Gustavo havia acabado de concluir seu primeiro voo solo, quando recebeu o chamado para participar da tradicional cerimônia do "banho de óleo".
Logo após ter o o produto lançado sobre o corpo, ele sofreu uma reação anafilática, seguida de convulsões e paradas cardiorrespiratórias. Apesar do atendimento do Samu, não resistiu. Familiares e amigos do rapaz estavam presentes no momento do "batismo".
Investigação da polícia
Segundo o delegado Lucas Petry, da Polícia Civil do Paraná, diversas testemunhas relataram que o instrutor do aluno despejou a substância sobre Gustavo, o que foi corroborado pela vítima e, dessa forma, indícios preliminares não apontam que o homem teve a intenção de matar o aluno.
A investigação vai apurar as circunstâncias do caso, incluindo qual era a composição da substância utilizada, a quantidade usada, as regiões do corpo atingidas e se há relação entre o procedimento realizado e a morte.
Foram solicitados exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial para confirmar a causa da morte. A polícia também deve analisar imagens, documentos e ouvir testemunhas, participantes do ritual e familiares da vítima.
ANAC alerta sobre o uso do óleo
Já a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil - agência reguladora federal que gerencia e fiscaliza toda a aviação civil no Brasil) citou que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, ter contato com a pele, conforme orientam os rótulos desses materiais.

A Agência reitera a escolas de aviação, aeroclubes e demais organizações de instrução que, na aviação, a segurança vem sempre em primeiro lugar.
Por isso, "é essencial repensar ritos de celebrações de conclusão de etapas da formação e garantir que qualquer manifestação seja conduzida de forma responsável, sem expor alunos, instrutores ou terceiros a risco".
Em nota divulgada nas redes sociais, o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa manifestou pesar pelo falecimento do aluno e disse que, em respeito à memória dele, à sua família e ao "trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas".
O que é o "banho de óleo"?

O "banho de óleo" é um rito de passagem informal e tradicional da aviação, realizado para celebrar o primeiro voo solo de um aluno-piloto (quando ele voa completamente sozinho pela primeira vez). O ato simboliza o ingresso definitivo do estudante na comunidade dos aviadores.
O "batismo" é realizado quando colegas de curso ou instrutores despejam óleo lubrificante de motor de aeronave (geralmente usado ou queimado) sobre o corpo do aluno.
Entre os pilotos, o ritual representa a união entre o homem e a máquina. Uma das lendas do setor diz que a tradição nasceu após Alberto Santos Dumont ter se encharcado de óleo devido a uma pane em um de seus inventos.
Muitas escolas de aviação estão substituindo esse óleo por banho de água (às vezes misturada com pó de café ou terra para imitar a cor do lubrificante).
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