Depois de anos de estudo, a recompensa de quem presta concursos é ser aprovada e contratada em um serviço público. E essa também seria a alegria da professora Mariana Cristina Justilin, se não fosse uma citação sobre saúde, não especificada no edital do concurso da rede estadual de ensino.
A professora foi aprovada, mas considerada não apta depois de ser diagnosticada como obesa mórbida, uma doença considerada grave pelos peritos do Estado.
Na lista das melhores notas da prova para educador infantil do Estado está o nome da professora, o que foi motivo de muita satisfação para quem estudou vários meses em busca da aprovação em um concurso público. “Fiquei muito feliz porque estudei muito pra isso. Conquista pessoal porque eram muitos candidatos no estado inteiro 110 mil no Estado e fiquei na 35º região”.
Mas os peritos não aprovaram Mariana no exame médico. “Me pesaram, me mediram, aferiram minha pressão, passei pelo médico que colocou apta no papel e ai veio a surpresa do 'não apta'.”
Obesidade Mórbida
Para reprovar a professora, os peritos se basearam no Índice de Massa Corporal (IMC), que é uma medida internacional usada para calcular se uma pessoa está no peso ideal.
A relação é feita entre peso e altura do indivíduo. Mariana foi classificada como obesa nível 3, com o índice de 43. O valor esperado de IMC é entre 18,5 e 25. O problema é que esse critério adotado não consta especificado no edital. Na publicação oficial apenas é citado que os aprovados no concurso precisam gozar de boa saúde para assumir a vaga.
Professora recebeu apoio nas redes sociaisDesde o ano passado Mariana dá aulas de português e inglês para alunos da educação infantil e ensino médio de três escolas municipais de Bariri.
A situação dela no concurso gerou revolta na cidade e nas redes sociais. Mariana postou um desabafo na sua página em uma rede social e foi compartilhada por centenas de pessoas com muitos comentários de apoio a indignação.
Os alunos e colegas de profissão também não entenderam como o IMC pode interferir na capacidade da professora em dar aula.
Mariana pediu uma reconsideração da perícia e aguarda ser convocada para novos exames.
Enquanto isso ela e a família tentam superar a frustração. “A gente não é gordo porque quer. É um preconceito muito grande. Trabalho normalmente, tenho vida ativa e boa saúde. Minha filha passa no concurso e é desclassificada por causa de obesidade”, reclamou a mãe da professora, Aparecida Elizabete Justilin.
Envie-nos sugestões de matérias: (14) 99688-7288






