Por Daniel Alonso *
Um assunto recorrente é a pesada carga tributária no Brasil. Nunca é demais informar a população e a classe produtiva que, na média, metade do que pagamos corresponde aos encargos relacionados a impostos e tarifas. Este pesado fardo só recai nas costas dos trabalhadores e dos empresários.
A indústria brasileira vem realizando desde o ano passado uma campanha essencial para os esclarecimentos na relação produto, consumidor e Estado. A iniciativa trouxe uma maior clareza para a compreensão das composições dos valores que fazem este ou aquele produto ser mais caro no Brasil e mais em conta em outros países.
Na maioria das vezes, o fator limitador do poder de compra do brasileiro é a carga de imposto inserida nos produtos. Há um estudo que mostra se um profissional recebe uma remuneração mensal de R$ 6 mil, apenas 23% deste valor corresponde a
compra real de produtos, serviços e consumo. Em outras palavras, o profissional embolsou diretamente apenas R$ 1,4 mil do valor que produziu com o trabalho mensal. Os 77% restante foram para os cofres do governo.
Isso se repete com cada brasileiro produtivo, gerando uma verdadeira montanha de recursos. E o que acontece com todo este dinheiro? Será que os cidadãos recebem de volta em serviços públicos, em segurança ou em condições de Estado para uma vida digna? Ainda estamos num dos países com desigualdade social gritante.
Há países aonde a carga tributária chega a impressionar de tão incorporada, contudo, os serviços públicos devolvidos para cada cidadão dão gosto de ver. Suécia e Dinamarca são algumas destas nações, onde escola pública e transporte coletivo concentram os melhores níveis mundiais de qualidade. Se aqui no Brasil o cidadão recebesse de volta tudo o que ele paga de impostos com serviço de alta qualidade, o sofrimento seria muito menor e a qualidade de vida de primeira ordem.
Estamos vendo atônitos as descobertas de esquemas numa das maiores empresas estatais do mundo, companhia que era orgulho da nação e hoje se vê como tecido para todo um arranjo que visou apenas dar sustentação a um projeto de poder. O poder pelo poder. Lamentável o que houve neste país. Outra parte dos recursos que pagamos acaba desperdiçada com o inchaço da máquina, com excesso na burocracia e com serviços vagos.
Em resumo: gastos demais e resultados de menos. Quem produz no Brasil acaba sendo massacrado com impostos demais e governo ruim. Temos que resolver esta equação através da renovação da classe política e, sim, da cobrança constantemente. Ir para rua em manifestos, ordeiros e pacíficos, resolve. Fortalecer a educação e o grau de cidadania são outros bons caminhos.Mas votar com consciência é outro instrumento poderoso.
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Daniel Alonso é empresário, diretor da Casa Sol e presidente da Federação das Associações dos Comerciantes de Materiais de Construção do Estado de São Paulo (Fecomac São Paulo)
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