Seu Ângelo, de 92 anos, um homem de muito vigor físico, não resistiu após mais de três semanas de tratamento. Família relata o drama ao portal Visão Notícias
O seu Ângelo Caijano, de 92 anos, morador em Marília, deve aparecer nas próximas horas como uma das próximas vítimas fatais da Covid-19. Possivelmente esteja oficialmente entre os sete óbitos suspeitos, mas os nomes não são divulgados. Só será possível confirmar através da idade.
Ele estava internado em Adamantina e não resistiu após cerca de três semanas de tratamento, exames negativos até ser "finalmente" diagnosticado com o novo coronavírus. Mas, já era tarde. Um idoso com tanto vigor físico não resistiu ao vírus que está matando milhares de pessoas em todo o mundo.
Seu Ângelo com a esposa: vencido pela Covid-19
Mas, não é o único dessa familia mariliense. No total foram 11 pessoas residentes na cidade (e mais 3 de Minas Gerais) com resultados positivos para a Covid-19. Até mesmo a esposa do seu Ângelo, de 87 anos, teve muitos dos sintomas da Covid-19, mas está recuperada.
"É tão doloroso ter que fazer o sepultamento sem poder dar o último abraço. É um vírus que acaba com a gente", afirmou a neta do seu Ângelo, Ivete Seixas. A família ainda está muito abalada com a perda e autorizou a divulgação dos nomes e demais informações.
Quem são os culpados?
Ivete faz um relato dramático após perder o avô, uma pessoa cheia de vitalidade, palmeirense "roxo" e que gostava de ter "vida própria", percorrer os lugares, mesmo com uma idade bem avançada.
"De repente uma ligação que tem o poder de tirar o chão dos nossos pés...uma notícia irreversível, e a vontade de gritar, a facilidade de buscar culpados, a política, o sistema, a burocracia, e começam as perguntas, por que? Será que nossa fé foi pouca? Será que Deus teve um segundo de descuido e esqueceu de nós? E com essas tantas desculpas vem a certeza de que quase tudo foi feito...", afirmou em mensagem ao Visão Notícias.
E acrescenta: "o sistema funcionou, a política atendeu o mínimo, a burocracia dificultou, principalmente nos últimos momentos. Deus esteve conosco, caso contrário nenhum de nós aguentaria, então por que quase tudo e não tudo? Esse quase dedicamos a nossa incredulidade no poder desse vírus, no descuido nosso em pensar, "ahhh daqui a li nem precisa da máscara" Ahhh um abraço não vai fazer mal" ou então, "ahhh isso só acontece com os outros".
Descuido fatal
Em outro trecho, Ivete tenta achar "culpados", quando na verdade foi o que aconteceu com centenas de outras fasmílias de Marília e região: um "pequeno" descuido.

Após anos juntos, seu Ângelo se despede da esposa, de forma trágica.
"E assim o Covid entrou em nossas vidas deixando até agora um rastro de 14 infectados e o saldo de uma morte. Nosso descuido está nós custando a ausência de um avô, um pai, um esposo, um sogro, um vizinho, um amigo, um bisavô....essa ausência tem o nome de Ângelo, que viveu seus 92 anos como todo mundo, dificuldades, alegrias, perdas, e em toda essa vivência foi plantando sementes de amor, as quais hoje cada um de nós que tivemos o prazer de conhecê-lo, estamos colhendo. Cuidem de seu jardim....a nossa árvore apesar de quase centenária poderia estar aqui conosco florindo amor ainda se não tivéssemos sido tão descrentes", desabafa Ângela.
Agradecimento
Como muitos outros infectados em Marília, seu Ângelo teve que buscar primeiro atendimento na rede básica. No seu caso, o PA Sul, onde realizou exames e atendimentos até, finalmente, ser diagnosticado com a Covid-19.
"Fica aqui a nossa eterna gratidão aos funcionários do P.A. Sul que por alguns dias viveram a nossa história, também é tão importantes quanto, os funcionários da Santa Casa de Adamantina que com carinho, presteza, profissionalismo e empatia nós ajudou nesses mais dez dias de luta", afirmou.
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