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- Marília/SP

Postado em 23/05/2020 às 10:00

Antes do coronavírus: a esquecida gripe de Hong Kong, epidemia que matou mais de 1 milhão de pessoas

A Humanidade tem enfrentado pragas e pandemias de doenças ao longo de milhares de anos. A peste negra, a gripe espanhola e a varíola deixaram milhões de mortos ao redor do mundo em épocas distintas.

As lembranças da epidemia de poliomielite, que atingia principalmente as crianças até que surgisse uma vacina, até hoje causam dor e espanto. Todas elas provocaram uma redução na população e também impulsionaram progressos médicos e melhorias no sistema de saúde pública.

Todas causaram também enormes desafios socioeconômicos, como vemos na atual pandemia de coronavírus, que já matou ao menos 315 mil pessoas desde dezembro de 2019.

Mas enquanto livros preservaram algumas dessas epidemias, outras caíram no esquecimento.

É o caso de uma gripe catastrófica em 1968. Em setembro daquele ano, um patógeno agressivo se espalhou pelos Estados Unidos. Ele seria batizado depois de gripe de Hong Kong, local onde o primeiro caso foi identificado.

Essa foi uma das três grandes pandemias de gripe do século 20: a espanhola em 1918–20, a gripe asiática de 1957–58 e a de Hong Kong, que foi de 1968–1970.

A primeira foi a mais agressiva e grave de todas. Causada pelo H1N1, levou ao menos 40 milhões de pessoas à morte. A segunda, com o H2N2, matou 2 milhões. A terceira, do H3N2, tirou a vida de 1 milhão.

Batizada de gripe de Hong Kong, ela matou 1 milh?o de pessoas, mas hoje n?o se d? mais nomes de lugares a pandemias para evitar discrimina??o

Em 1968, a filha pequena de Phillip D. Snashall, professor emérito de medicina da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, contraiu a gripe de Hong Kong. E ninguém soube como isso aconteceu.

O pai dela contou ao British Medical Journal que apenas alguns médicos e uma publicação especializada souberam disso.

“A Bolsa de Valores não entrou em colapso, a imprensa não nos perseguiu e nenhum homem com equipamentos respiratórios parou as brincadeiras da minha filha.”

No entanto, no Natal de 1968, hospitais em todos os 50 Estados americanos começaram a receber diversos pacientes, assim como acontece com a covid-19.

Uma catástrofe global

Ao todo, em 1968 e 1969 morreram por causas relacionadas à gripe de Hong Kong cerca de 1 milhão de pessoas ao redor do mundo.

Como ocorreu em muitas partes do mundo, habitantes de Hong Kong fizeram filas para comprar m?scaras e ?lcool em gel

Os mortos por covid-19 ainda não são tão numerosos. Mas ambas as pandemias têm em comum que muitas das mortes acontecem entre os maiores de 65 anos, principalmente aqueles com doenças pré-existentes.

Mas por que a gripe de Hong Kong foi tão agressiva?

Primeiro, porque o vírus causador daquela pandemia (o H3N2, que ainda circula pelo mundo, algo que especialistas dizem que pode acontecer ao Sars-CoV-2) é considerado uma das cepas de gripe mais problemáticas.

Tal qual o vírus da covid-19, é especialmente contagioso e tem uma alta capacidade de matar. As reações à gripe de Hong Kong e ao novo coronavírus tem sido parecidas em diversos aspectos.

Mas ainda que distanciamento social, campanhas de higiene das mãos e recomendações para evitar o transporte público tenham sido adotados, cidades não adotaram quarentenas e todo mundo ainda trabalhava. Foi quando veio então uma segunda onda, ainda mais forte.

A gripe de Hong Kong teve uma primeira onda suave no inverno de 1968-69, mas possivelmente mutou significativamente e produziu uma segunda onda que, na Europa, se deu em dezembro de 1969.

 

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