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Postado em 09/08/2021 às 08:30
O misterioso espanto da Administração Pública

Por Marcos Boldrin*

Se nunca ouviu falar em Albert Schweitzer (1875-1965), aquiete o coração: a imensa maioria da humanidade vai passar por toda uma existência nesta mesma condição. Por seu turno, um epítome, uma frase, resume quem foi: “o maior homem do mundo”. Credenciais não faltam ao autor da frase: Albert Einstein.

Schweitzer nasceu alemão, estudou música e se tornou o maior intérprete de Bach. Doutorou-se em filosofia e teologia. 

Aos 29 anos havia publicado três livros, já era pastor, professor universitário e diretor de faculdade. 

Antes, aos 21, havia decidido que, aos 30, dedicaria a vida ao serviço à humanidade. 

Cumpriu sua promessa: graduou-se médico aos 38 anos. Com sua esposa, seguiu para a África, iniciou atendimentos em ambientes precários em um abandonado galinheiro.

Construiu hospital com recursos próprios e doados, onde curou, mais que enfermidades físicas, almas e espíritos de crendices e superstições nativas.

Preso com sua esposa enquanto atendia no próprio hospital (por ser alemão em território colonial francês), foi deportado para a Europa e levado para um campo de concentração francês. 

Libertado com o fim da guerra, Schweitzer retomou a carreira de músico, apresentando-se para grandes públicos por seis anos em terras europeias. Arrecadou fundos que lhe permitiriam voltar à medicina para cuidar principalmente dos hansenianos africanos. Leprosos.

Publicou vários outros livros sobre música, teologia e filosofia e, no campo da bioética, formulou o princípio da “reverência pela vida”: a ética não deve se restringir às relações entre os humanos, mas se estender para todos os seres do universo. 

Antecipou-se, assim, ambientalista numa época em que se cria numa natureza infinitamente dadivosa e inesgotável.

Engajou-se na luta antibomba atômica.

Alcançou o Prêmio Nobel da Paz.

Surpreso?

Enquanto Secretário da Administração municipal, o sentimento que resume o que vejo até agora é o mesmo: o da surpresa. Espanto positivo. Admiração. 

O maior motivador: o Servidor Público municipal. Gente. O essencial em tudo. 

Altruísta, voluntarioso, a maioria adota princípios proporcionalmente semelhantes aos de Schweitzer, o que lhes garantiu atravessar interesses e vontades muitas vezes excessivamente severos, rígidos, opressores. Intolerantes. 

Parcela foi perseguida por fulanos menores. Parcela constrangida. Humilhada. Em algumas situações, até tiranizada. 

Mesmo assim, mantém-se fiel na crença de servir, de também ser protagonista pelas ações. 

Obviamente que, como em todas as categorias, há exceções negativas. Exceções somente. Regra geral, sente-se membro de uma só comunidade em direitos e deveres, que busca edificar-se numa sociedade indistinta, igualitária, que se enxerga servidor e, acima de tudo, um cidadão. Igual, não apartado. Um bloco. Uma e uma só rocha. 

Solidez, sobre a qual Marília deve se reerguer.

Uma cidade ainda mais compartilhada, participativa. Inteligente. Empreendedora. Ativa.

Acima de tudo, humana.

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* Marcos Boldrin é Secretário da Administração e Coronel da Reserva.

Acesse: facebook/coronelmarcosboldrin

 

 

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