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Postado em 22/03/2020 às 15:00
Cansado do corona vírus: o que fazer?

 

 

 

Marcos Boldrin *

O ESSENCIAL

[…]acolhamos e cumpramos o que as autoridades públicas nos determinam (ações obrigatórias, sem pestanejar), [...] Duvidemos, sempre. Mas cumpramos de imediato.

TAMBÉM ESTÁ SOB OS EFEITOS DO  ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA COMO MEDIDA DE ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS (COVID-19)?

Muitos são os comentários pessoais (presenciais e virtuais) - alguns divertidos; outros preocupados; outros apocalípticos, e; outros... - criticando negativamente a própria veracidade da existência do vírus, as ações propostas, os comportamentos das autoridades públicas e, principalmente, os nossos próprios comportamentos individuais e em coletividade – cumprir totalmente ou não as determinações das lideranças pública?

Momento é de alarmismo, claro. Com parcimônia, sabedoria.  

O alarmismo é bacana e até necessário para alguns perfis e se você, leitor, compreendeu o texto até aqui: fantástico! Saiba que 92 em 100 brasileiros não possuem a capacidade de ler e entender o que está lendo. Fazer parte desta elite dos 8% traz bônus e, por outro lado, ao menos um ônus - o da responsabilidade: cabe-nos utilizarmos deste diferencial e ajudarmos as pessoas a nossa volta, no mínimo as acalmando e as instruindo a fazer o que tem que ser feito. 

Atenção: este fenômeno é temporário - vai passar. Lembremos, como exemplo, de uma e uma só pandemia que ocorreu dentre tantas: a da imunodeficiência humana (HIV) – também por um vírus. Hoje, sabemos que é transmitido pela troca de fluidos corporais, em relações sexuais sem uso de preservativos, podendo também acontecer durante a gravidez, no parto, amamentação, em transfusões sanguíneas, transplantes de órgãos e por compartilhamento de agulhas contaminadas. Nos anos 1990, no entanto, ninguém sabia nada disto e, principalmente, o que fazer, um revés para o progresso da humanidade. As autoridades públicas entraram no jogo, a sociedade entendeu, levou seu tempo de amadurecimento e as regras foram acolhidas, virando a mesa na década de 2000, reduzindo a taxa de mortalidade global para crianças à metade. Em 2016, a ONU

concordou com um plano para pôr fim à epidemia de AIDS (embora sem necessariamente erradicar o vírus) até 2030. 

Em resumo: o controle da doença infecciosa desde 1990 salvou a vida de mais de 100 milhões de crianças em todo o planeta.

Discussões metafísicas, raciocínios especulativos e tudo aquilo que não seja pragmático devem ficar em segundo plano neste momento. 

O importante é agirmos, assumirmos o que temos que fazer, seguindo aquilo que funciona na prática. 

Uma delas é termos calma para com as pessoas, tanto nas nossas esferas presenciais quanto nas virtuais: compreendermos que cada um possui suas próprias limitações de entendimento das informações, seus próprios ritmos (adolescentes digerem informações de um jeito diferente de pessoas como eu, idosas); que alguns não tiveram tempo de acessar tantas informações quanto outros por motivos diversos, embora nosso senso comum julgue que todos estamos sob um bombardeio de notícias de todos os lados (há pessoas que estão imersas em seus trabalhos até o pescoço, sem tempo pra olharem ao lado; há as que não possuem acesso à internet; as cujos horários livres não coincidem com os de jornalísticos etc); que nossos graus de maturidade e desgastes cognitivos naturais são diferentes; que alguns fazem parte dos 8% e outros não. 

Tenhamos calma: há que se dar tempo ao tempo para que o nível de conhecimento se equalize. 

Consideremos também que sempre haverá os que não querem saber de nada, os que querem contrariar só por contrariar mesmo, além dos que ignoram orientações e determinações: desnecessário os atacar. Após fazermos nosso papel, aquietemos nossos corações se optarem por não mudar comportamentos – a vida deles se incumbirá, como já se incumbiu em todas as fases da história.

Lembro, ainda, que os patógenos ou causadores do HIV que acima citei necessitam de um período de incubação longo e assintomático durante o qual os hospedeiros podem infectar seus parceiros e, somente após, os germes causam seus danos, diferentemente do que ocorre com o COVID-19: na maioria dos casos, seus sinais aparecem rapidinho, facilitando o alerta e a detecção de eventuais vetores entre nós e, consequentemente, nos ajudando a prevenir a virulência e o contágio. Aqui, nasce outra dúvida. 

Como prevenir, como fazer a nossa parte?

O mais importante: acolhamos e cumpramos o que as autoridades públicas nos determinam (ações obrigatórias, sem pestanejar), analisando com atenção se também é o caso de fazermos o que estas mesmas autoridades públicas nos orientam (ações que estão na esfera de nossas opções em cumprir ou não, cabendo a nós mesmos o discernimento em cada situação, caso a caso). 

Podemos não concordar com as ideologias de nossas lideranças públicas; podemos discutir posteriormente se o que determinaram é válido ou não; podemos duvidar até do que nos informam: só não podemos deixar de cumprir. 

As autoridade públicas, independentemente de quem sejam as pessoas em si que ocupem as cadeiras, mas em razão dos cargo e função dentro da estrutura de nossa sociedade, possuem informações privilegiadas e filtradas que nem sonhamos existirem; fontes especializadas que entregam, doam uma vida toda em prol de pesquisas e em busca de soluções adequadas para causas pontuais; acessos que abrem portas que nós, os comuns, nunca teremos a possibilidade de ouvir falar; capacidade de articulação entre os diversos órgãos e instituições que nos salvam e salvam muitas outras vidas.

Duvidemos, sempre. Mas cumpramos de imediato. 

Se não por nós mesmos.... por aqueles que amamos. 

Valeu e Sucesso!

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*Marcos Boldrin é urbanista, arquiteto e militar da reserva. 

marcos@marcosboldrin.com.br

http://marcosboldrin.com.br

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