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- Marília/SP

Postado em 08/02/2019 às 13:00

Tragédia em Brumadinho: a rotina dos cães farejadores que buscam desaparecidos

Bombeiros que trabalham com cães farejadores costumam dizer que um deles vale por 20 militares. Sua principal ferramenta é o olfato, capaz de detectar partículas imperceptíveis para os seres humanos, já que eles têm dez vezes mais receptores olfativos do que nós.

Nas buscas por desaparecidos na lama de Brumadinho, onde a profundidade chega a 15 metros em alguns locais, eles têm sido fundamentais. Desde o dia do rompimento da barragem de rejeitos, já encontraram mais de 20 mortos. Na etapa atual de buscas, duas semanas após a tragédia, o Corpo de Bombeiros já percorreu toda a parte superficial da lama, e agora procura por desaparecidos em camadas mais profundas.

À medida que as chances de encontrar pessoas com vida se aproximam de zero, os cães têm desempenhado o importante papel de localizar mortos. Até a noite de quinta-feira, 7 de fevereiro, 158 mortes haviam sido confirmadas e 182 pessoas seguiam desaparecidas.

A rotina dos cães na lama de Brumadinho

Ao planejar as buscas, o Corpo de Bombeiros identifica áreas onde pode haver um número grande de vítimas. Quando está diante da lama com seu cão, o condutor dá o comando "dead" ("morto" em inglês) e o cão vai em busca daquele odor. Se houver alguém vivo, o cachorro também indicará a presença da pessoa, pois é treinado para identificar ambos os cheiros.

Em alguns lugares, os bombeiros fazem buracos fundos com bastões e abrem o que chamam de "cone de odor" para o cão detectar se há algo ali que os seres humanos não estão percebendo. Se acharem alguém, os cães latem.

O cão precisa estar atento, com a boca fechada, puxando ar só pelo nariz. Se estiver com a boca aberta, é hora de descansar. Para cada dez minutos de trabalho, diz a norma, são vinte de descanso.

O olfato canino detecta cheiros humanos emitidos de diversas formas, como as cerca de 40 mil células que se desprendem por minuto da pele de pessoas vivas, a transpiração e gases respiratórios ou a decomposição dos mortos.

Como os animais são treinados para identificar odores específicos, eles têm sido úteis em Brumadinho também para confirmar se um segmento de corpo pertence a um ser humano ou a um animal, também atingidos pela lama.

 

Para conduzir um cão de busca e salvamento, militares também passam por um treinamento básico de adestramento. Aprendem os comandos mais comuns, alguns dados em inglês - "sit", deita, fica - e outros mais específicos.

Depois, pegam um filhote, que passa a ser de sua responsabilidade, e começam a treiná-lo. Cada bombeiro tem o seu. Em seguida, desenvolvem com o cão treinamento para a atividade específica a ser exigida dele - identificar drogas, explosivos, pessoas.

Não é qualquer raça que pode ser usada para esse tipo de trabalho. Os cães farejadores devem ser fortes para, no caso de Brumadinho, passar horas andando na lama, e resistentes a temperaturas altas.

Labradores têm melhor faro, mas se cansam mais rápido. Enquanto um pastor alemão trabalha 40 minutos direto, um labrador consegue farejar, sem se cansar, por apenas 20. Labradores são também os mais fáceis de treinar. Em geral, bombeiros iniciantes ficam com essa raça.

 

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