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- Marília/SP

Postado em 10/12/2018 às 08:00

Marcos Boldrin escreve: "Liderança: é tempo de começarmos"

Ontem você estava fazendo coisas triviais em uma noite dentre tantas de sua rotina. Hoje pela manhã, assim que chega em seu local de trabalho ou à entidade na qual participa em sua comunidade, é convidado a participar de uma reunião a portas fechadas. “-Temos uma boa e uma má notícia pra você. A boa é que foi promovido - agora será o nosso novo líder. A outra é que começa assim que passar por aquela porta...”.

Marcos Boldrin

Creia-me: o “blá, blá, blá” que imediatamente se seguirá sequer será ouvido por você. Haverá uma enxurrada de imagens e sensações misturadas por lembranças e a escuridão na previsão do futuro que obviamente desconhece turvará sua mente. Euforia e medo temperarão tudo isto. Comemorar com quem ama? Ou já pensar no que deve ser feito? Sair falando aos quatro ventos mais esta conquista? Ou silenciosamente iniciar o esboço de um planejamento estratégico?

Todos passamos por isto quando ultrapassamos o portal de acesso à liderança caso a empresa, corporação ou instituição à qual pertençamos não tenha o cuidado de nos preparar, de longa data, para esta transição – e não se engane: é fato quase compulsório em nosso planeta humanal. 

Uma pergunta, no entanto, permeará todas as demais: “qual o sentido que quero dar à minha liderança?” Seguida de uma outra: “qual o perfil de liderança vou imprimir a mim mesmo enquanto à frente estiver?”.

Estas são perguntas profundas e cujas respostas soam tais às nossas próprias questões existenciais: “quem sou? De onde vim? Pra onde vou?” Da mesma forma, pois, e a exemplo destas, o novo líder deverá dispender menos energia e tempo a responde-las de imediato e as descobrindo lentamente à medida que vai caminhando em sua nova missão e ajudando a construir um novo ambiente. Um novo mundo. 

Previamente, devemos considerar que liderança é tarefa complexa e multidisciplinar. Extremamente prática, por mais que a tentemos intelectualizar, é no pragmatismo do açoite, do estalar do chicote, e do regozijo de seu exercício que, na verdade, ela é melhor compreendida.

Pensá-la isoladamente dos fatos concretos, além de a esterilizar, pode se mostrar uma ocupação intimidadora, tamanhos sua profundidade, alcance de temas e profusão de fontes de consulta. 

Áreas da psicologia, ciências sociais e administração; das relações de trabalho, recursos humanos e gestão de pessoas; dos comportamentos organizacional e gerencial; dos papéis e perfis dos diversos atores; das relações com o poder e motivação; das mudança e inovação, competências gerenciais e bem-estar no trabalho são algumas pelas quais navega, atravessa, indistintamente, variando aqui e ali conforme as novidades vão surgindo e se cristalizando. 

Na gestão ou administração de qualquer negócio, seja ele de tangíveis ou intangíveis, é a liderança fenômeno, portanto, central e fundamental na geração de valor, no planejamento e execução de estratégias organizacionais e, portanto, carente de atenção e interesse contínuos.

Por ter diversas facetas, é impossível uma definição que unifique todas as perspectivas das quais possa vir ser observada: uma definição informa melhor sob a ótica de quem a exerce; uma outra a define do ponto de vista de quem é liderado; outra, de um observador externo com ênfase em um ou outro polo (líder ou liderado), outra, ainda, das situações que surgem.

Mesmo dentro de um mesmo nível de visão (por exemplo, sob a de dois líderes), se apresentam distintas: uma definição poderia ter sido bem delineada por Napoleão Bonaparte imediatamente após a Batalha de Austerlitz quando, em 02 de dezembro de 1805, comandou a maior vitória de seus exércitos, derrotando o autro-russo, tida como case de estudos universais em comportamento tático; algo completamente diverso de uma outra, agora, nos dias de hoje, pelo gerente de uma loja de roupas masculinas no centro comercial de uma cidade de médio porte que precisa atingir metas de vendas com sua equipe ante a pasmaceira em período comemorativo ao Dia das Mães.

Além disto, conceitos e definições são criações humanas e notadamente se transformam no tempo.

Amenizando a impossibilidade de uma só definição, portanto – uma espécie de “teoria do campo unificado” ou, até, de uma “teoria de tudo” da física -, alguns elementos estão sempre presentes quando tratamos do tema Liderança: gente (nas figuras do líder e dos liderados); poder da influência; uma dada situação ou conjuntura, ou seja, o cenário que serve de gatilho; a interação ou o inter-relacionamento entre as pessoas envolvidas; os objetivos e metas a serem alcançados; e, mais atualmente, um fator que não apareceu entre os estudiosos até o início do século XXI: alguma transformação no contexto que evidencie que, ao final do processo, o ambiente estará diferente do presente – e isto faz uma tremenda diferença em relação às formas de ver e entender liderança no passado e no hoje. 

A eles, incorporo mais um: a dimensão ética, considerando-a como um corpo de princípios que orientam o bom comportamento, alinhado com os valores positivos da realidade social na qual estamos inseridos – fator premente em nossa sociedade dada sua atualidade no pós-mazelas em que vivemos imersos em recente período de nossas trajetórias pública e privada.

Encampando tais elementos formadores, defino, portanto, liderança para a nossa atualidade como sendo a capacidade interativa de gente influenciar e ser influenciada em uma determinada conjuntura, buscando alcançar metas e objetivos eticamente e tendo como resultado uma transformação no ambiente (psicossocial ou mesmo fisicamente). Reforço que, longe de ser uma definição fechada, estanque, esta é somente uma das possibilidades de definirmos liderança em nosso período histórico, das múltiplas – e que, portanto, não tem a menor pretensão de esgotar o assunto. A motivação é meramente a de termos um ajuste de linguagem para podermos desenvolver nossa ideia sobre um mesmo alicerce. 

Neste sentido, penso ainda que liderar é também e em muitos casos influenciar as pessoas no temível salto pra fora da mediocridade em que foram aprisionadas, agindo junto com elas, em equipe e eticamente.

E pra que serve saber sobre isto? Pra que definir liderança? 

Ora: lembremos do dito creditado a Sêneca – para aquele que não sabe aonde ir, todos os ventos levam seu barco a vela a lugar algum. Os modelos de liderança que se abrem a quem acabou de assumir a cadeira de líder – e não faz a menor ideia de para onde correr -, são múltiplos, variados, e qualquer um deles de nada serve se não souber alinhar cada um destes elementos formadores com o ambiente e a situação de momento que se depare.

Tanto faz se vai recorrer ao primeiro manual de liderança do oriente (“A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, de 400 antes da era conhecida) ou ao “O Príncipe”, de Machiavel (1513 de nossa era); se vai tentar copiar um dos modelos reunidos nos clássicos bíblicos cristãos do antigo ou do novo testamento ou aos do Alcorão, das doutrinas budista e zoroatrista, ou mesmo aos clássicos da antiguidade (tais aos perfis de liderança heroica dos gregos, romanos, shakespearianos ou de nossos mitos fundadores nacionais) ou, ainda, aos super-heróis das franquias Marvel ou DC Comics: todos eles dizem muito e nada - muito a quem sabe aonde ir e o que quer se tornar; nada a quem qualquer vento sirva, para os que possuem como regra de vida o “tanto faz”. 

Além disto, é tema que desperta interesse desde sempre (o que reiteramos em artigos anteriores) e, mais ainda, atualmente: ao debruçar-nos sobre o quadro estatístico de publicações afetas aos tema no meio acadêmico (conforme paper apresentado pelos professores Lucas Martins Turano e Flávia Cavazotte  junto a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração) e em que pese cerca de 

60% das publicações científicas terem como autores pesquisadores de universidades norte-americanas, uma análise mais detida dá conta de que autores de outras nações vem aumentando em participação em relação ao percentual observado nos anos anteriores, o que leva a crer que o conhecimento difundido alarga-se progressivamente.

Por outro lado, enquanto a China – até alguns anos pareada com o Brasil na composição dos BRICs -  e pela primeira vez desde 2015, divide o Top 10 uniformemente com os Estados Unidos da América, no Ranking 2018 das maiores empresas do mundo, elaborado pela FORBES Global 2000, o Brasil perde em quantidade (19 empresas brasileiras, contra 20 no ano passado) e posições (uma das maiores quedas foi a da Eletrobras, que saiu do 610º lugar para ocupar o 1.120º - 510 posições, portanto -; além das BRF - 448 posições - e a Sabesp - 466 posições) no comparativo com o mesmo estudo de 2017, sinalizando que há espaço em nosso solo para lideranças com pensamento global, bem treinada e com fundamentos consolidados. 

Evidente é que se construir líder é um longo processo que começa muito antes de atravessar a porta após o convite. Em verdade, antecede o próprio convite em se tornar um líder – adquirir conhecimentos, habilidades e ter atitude firme e interativa, que resulte em influenciar e se deixar influenciar em determinadas situações, com ética, metas e objetivos de forte impacto na transformação do meio em que vivemos... bem, não é coisa que se ganhe em um passe de mágica. Ou durante o convite para uma reunião de promoção a portas fechadas. Leva tempo: uma jornada para toda a vida.

Se não acredita, comece pelas histórias do Batman ou Spiderman e veja quanto tempo antes suas habilidades começaram a ser desenvolvidas até o início de suas jornadas à frente de suas equipes. Depois, visite os homéricos Aquiles e Ulisses (“Tróia” e “Odisséia”, respectivamente), ou mesmo, Enéias (na “Eneida”, de Virgílio). Já será um bom começo. 

Em comum a todos eles, a ideia de que toda grande caminhada começa com o primeiro passo. Tempo é, portanto, de começarmos.

Marcos Boldrin

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