Após 75 anos de funcionamento, a entidade Juventude Criativa de Marília (conhecida também como "Juventude Católica") poderá ter que reduzir de 150 para apenas
20 menores atendidas. O motivo é da decisão das Prefeitura de não enviar mais alimentação.
Ontem à noite, foi realizada uma reunião com os pais quando foi feita uma exposição dos problemas e pedindo ajuda deles e da sociedade. A Prefeitura enviou nota garantindo que será apenas uma "adequação da forma do convênio", passando a ser atendida pela Assistência Social.
Prédio da entidade, na avenida República.
"Mas, a secretaria de Assistência não compra alimento em grande quantidade como nós precisamos. Isso precisa ser feito pela Educação, como sempre aconteceu", afirmou o vice-presidente da entidade, Bruno Doretto Munhoz. Nessa reunião, nenhum representante da Prefeitura compareceu, embora tivesse sido convidada.
Fundada em 1942, a entidade funciona na avenida República, próximo ao centro da cidade. Atualmente são atendidas cerca de 150 crianças e adolescentes de 6 a 15 anos de idade (famílias de baixa renda) que permanecem na entidade no "contraturno" do período escolar, recebendo alimentação, atendimento psicológico, professores e participando de projetos como capoeira, coral e informática.
IMPASSE

Evento na entidade com representantes da Prefeitura
A Prefeitura fornece alimentação, transporte (a maior parte dos menores é da zona Sul), além de seis professores e quatro servidores. Mas, de acordo com Bruno Munhoz, no final de agosto, o secretário municipal da Educação, Roberto Cavallari, convocou a diretoria da entidade para relatar dificuldades na compra de alimentos devido a problemas na licitação.
O secretário pediu prazo de 30 dias para resolver esse impasse. Neste período (começou dia 31 de julho), a Juventude Criativa se mobilizou, conseguindo doações de alimentos por parte das entidades. Para se ter uma ideia, o gasto diário da entidade é de 5 a 10 quilos de arros, além de 10 quilos de carne (só em alimentação, são gastos R$ 15 mil/mês).
Mas, após esse prazo, surgiu nova informação de que as entidades passariam a ser atendidas pela Secretaria Municicipal de Assistência Social e que a Juventude receberia alimentação para apenas uma semana. Ontem, no dia da reunião com os pais, chegou apenas arroz, feijão e farinha - insuficiente para o preparo das refeições.
MOBILIZAÇÃO - Hoje, a Juventude Criativa de Marília teria um gasto mensal de 90 mil reais se tivesse que manter por contra própria o atendimento das 150 crianças. Essa despesa é coberta com a ajuda da Prefeitura (alimentação, transporte e funcionários), além do aluguel do prédio (pertence à entidade, mas locado pelo Município) e recursos da Nota Fiscal Paulista.
Desde que foi solicitado o prazo de 30 dias, a diretoria da entidade se manteve em silêncio, evitando dar entrevistas. Mas, após a reunião de ontem à noite (sem a presença da Prefeitura), a saída será fazer uma ampla divulgação da gravidade do problema e ao mesmo tempo mobilizar os pais e as lideranças marilienses.
OUTRO LADO - Veja a nota oficial, distribuída pela assessoria de imprensa: "A Prefeitura informa que não há cortes e sim a legalização e adequação da forma de convênio de acordo com a lei 13.019, que passará a ser com a Secretaria Municipal da Assistência e Desenvolvimento Social".
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