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Postado em 19/05/2017 às 10:55

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Temer recebe ministro da Defesa que discute hipótese de intervenção militar

Jungmann diz que militares estariam preocupados com o aprofundamento da crise e serem "convocados a intervir".
  1. ministro da Defesa, Raul Jungmann com Temer e militares.

Único compromisso oficial da agenda desta sexta-feira (19) do Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) recebe ainda pela manhã o ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS-PE), acompanhado por comandantes das Forças Armadas – o restante do dia está reservado para "despachos internos". As informações são da Rede Brasil Atual.

As consequências da crise em que o governo Temer mergulhou após a divulgação de que o presidente deu aval para que o dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, comprasse o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, está no centro da pauta da reunião.

Ministro da Defesa, Raul Jungmann

Em texto publicado em sua página no Facebook, Jungmann afirmou que militares "não aceitarão ou apoiarão aventuras institucionais", esperam dos políticos "rápida resolução" da crise, mas estão preocupados com perspectiva de serem "convocados a intervir".

O ministro, até o momento, mantém-se no governo, contrariando a tendência majoritária de seu partido, que parece ter rachado em relação às denúncias que atingem Temer. Enquanto o presidente licenciado do partido, Roberto Freire, entregou o cargo de ministro da Cultura, Jungmann anunciou ontem que fica. Na Câmara, o PPS também anunciou que não integra mais a base do governo. 

Confira o que escreveu o ministro da Defesa:

"O principal juízo dos militares sobre a crise parte da constatação de que os atores políticos, legitimados pelo voto para apontar e construir os caminhos da solução, abdicaram do papel que o grave momento nacional lhes reserva e reduziram as enormes dificuldades que se abatem sobre nós a mera luta pelo poder, na sua expressão mais primária. E ao esforço de preservação de biografias que a cada dia se mostram mais indefensáveis.

Reclamam, em síntese, da inexistência de vontade política para o enfrentamento efetivo dos problemas e, em consequência, da incompreensível subordinação das razões de Estado às conveniências político-partidárias.
A visão que eles têm da crise atual pode ser assim resumida:

a. Estão fechados com o que diz a Constituição e seu papel por ela definido. Nas suas palavras, nada farão fora do que diz o "livrinho" - nem para por, nem para tirar ninguém. Também não aceitarão ou apoiarão aventuras institucionais de qualquer das partes envolvidas;

b. Entendem, tendo em vista o aprofundamento social e econômico da crise, que cabe aos políticos sua rápida resolução, antes que ela se agrave ainda mais; e

c. Estão preocupados com a perspectiva de, não revertido o quadro de deterioração em curso, se verem convocados a intervir em nome da Garantia da Lei e da Ordem - GLO, art. 142, caput, da CF.

Convenhamos, a conjuntura lhes dá razão quanto ao temor de um descontrole. O crescente desemprego, a recessão, inflação, colapso fiscal de estados e municípios justifica a preocupação. Ademais, a perspectiva inédita de três anos de recessão, associada à vertiginosa perda de legitimidade do sistema político, de corrupção endêmica do governo e de parte do parlamento, somadas a amplas manifestações via redes sociais, torna cinzento nosso futuro.

Esse quadro poderia ser saneado se a política não fosse refém dela própria, como já dissemos anteriormente."

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